Melbourne, Austrália

Guia da cidade com dados principais, viagens, negócios e cultura.

AustráliaVictoria

Visão geral

Melbourne é a capital cultural da Austrália — um CBD cheio de vielas sobre a rígida Hoddle Grid, uma cultura de café de classe mundial enraizada na imigração italiana e grega do pós-guerra, a maior rede de elétricos do mundo, o futebol australiano na sua casa espiritual e um calendário de festivais e desporto que anima a cidade o ano inteiro.

Vielas e CBD

As ruas da Hoddle Grid e o café, a arte, os bares pequenos e a arquitetura ao nível das vielas — a assinatura de Melbourne.

Museus e arte gratuitos

A NGV International, a NGV Australia, o ACMI, o Ian Potter Museum e a trienal da NGV — quase tudo de entrada gratuita.

Café e gastronomia

A mais forte cultura de café do mundo, a Lygon Street italiana, a Victoria Street vietnamita e o Queen Victoria Market.

Capital do desporto

O MCG e a AFL, o ténis do Australian Open, a corrida Melbourne Cup e o Grande Prémio de F1, no Albert Park.

Festivais e eventos

O Festival de Comédia, o MIFF, o Melbourne Writers Festival, o Rising, o Moomba e o calendário da final da AFL.

Excursões

A Great Ocean Road e os Doze Apóstolos, os pinguins de Phillip Island, o vinho do Yarra Valley e a Mornington Peninsula.

História

A bacia de Melbourne é terra Wurundjeri, lar dos clãs Wurundjeri-willam, Boon Wurrung e Wathaurong da Nação Kulin há dezenas de milhares de anos, cujas línguas sobrevivem nos topónimos por toda a cidade. Fundada como povoado em 1835 e traçada na Hoddle Grid em 1837 (com o nome do primeiro-ministro britânico Lord Melbourne), a cidade foi transformada quase de um dia para o outro pela corrida ao ouro de Victoria, de 1851, numa das cidades mais ricas do mundo — a «Marvellous Melbourne» dos anos 1880, cuja arquitetura de boom ladeia a Collins Street e produziu o Royal Exhibition Building (1880, Património Mundial da UNESCO desde 2004, o único edifício do mundo a ter acolhido as convenções de três parlamentos diferentes). Melbourne foi a capital federal da Austrália, da Federação, em 1901, até Canberra abrir, em 1927. Sucessivas vagas de migração — italiana, grega, vietnamita, chinesa, indiana e africana — construíram a cidade multicultural de hoje, lar da maior comunidade grega fora da Grécia. Os Jogos Olímpicos de 1956 realizaram-se no MCG, e o futebol australiano, que nasceu em Melbourne nos anos 1850, continua a ser o código desportivo que define a cidade.

Cultura

A cultura de café de Melbourne é considerada a mais forte do mundo — herdada diretamente dos migrantes italianos e gregos do pós-guerra e apurada por uma cena de torrefatores liderada pela St Ali, Market Lane, Proud Mary, Seven Seeds, Auction Rooms, Brother Baba Budan e Patricia. O flat white é a especialidade da cidade. A Lygon Street, em Carlton, tem a mais antiga rua de restauração italiana da Austrália; a Victoria Street, em Richmond, é a rua vietnamita mais densa do país. A cozinha australiana moderna está no seu mais ambicioso no Attica (Ripponlea), no Vue de Monde (com vista para a cidade), no Cumulus Inc. e no Cutler & Co. Informal: Hardware Société, Movida e Chin Chin (sem reservas, conte com fila). O Queen Victoria Market é a âncora gastronómica; a Smith Street, em Collingwood, e a Brunswick Street, em Fitzroy, têm a cena de bares pequenos e de vinho natural. Melbourne tem a maior comunidade grega fora da Grécia, bem visível na sua gastronomia. Festivais: Australian Open de ténis (fim de janeiro, Melbourne Park) — o primeiro dos quatro Grand Slams, Festival Internacional de Comédia de Melbourne (março-abril, quatro semanas), Grande Prémio de Fórmula 1 da Austrália (março, Albert Park), Moomba Festival (março, rio Yarra, festival comunitário gratuito), Festival Internacional de Cinema de Melbourne (MIFF, agosto), Final do campeonato de AFL (último sábado de setembro, MCG — feriado em Victoria), Melbourne Cup (primeira terça-feira de novembro, hipódromo de Flemington). Museus: NGV International (St Kilda Road; entrada geral gratuita), Ian Potter Centre: NGV Australia (Federation Square; gratuito), Australian Centre for the Moving Image (ACMI, Federation Square; gratuito), Melbourne Museum (Carlton Gardens; galeria dos Primeiros Povos; pago), Royal Exhibition Building (UNESCO; visita guiada obrigatória), Museu Australiano do Desporto e visitas ao MCG.

Informações práticas

Segurança: Melbourne é, em geral, uma cidade de baixa criminalidade pelos padrões internacionais; aplicam-se as precauções urbanas habituais, com atenção redobrada à zona das grandes estações a altas horas e à King Street, à noite. O CBD, os bairros interiores e as principais atrações são seguros a qualquer hora. O tempo variável é o principal risco prático — Melbourne passa genuinamente por «quatro estações num só dia», com frentes frias a baixar a temperatura 15°C numa hora, mesmo no verão; vestir em camadas o ano inteiro é essencial. O sol é forte no verão (protetor 50+, chapéu); o inverno é cinzento e húmido, mas ameno (10-15°C). Idioma: O inglês é a língua de funcionamento. O inglês australiano tem muitas particularidades de vocabulário (arvo para tarde, brekkie para pequeno-almoço, footy para AFL, parma para frango à parmegiana). As línguas aborígenes da Nação Kulin — Woiwurrung, Boonwurrung, Wathawurrung — são visíveis nos topónimos (Bunjil, Yarra, Birrarung, Naarm). As declarações de Welcome to Country e de Acknowledgement of Country, em eventos, reconhecem os Wurundjeri Woi-wurrung como donos tradicionais. As comunidades italiana, grega, chinesa e vietnamita de Melbourne são grandes o suficiente para se verem na sinalética das ruas dos bairros interiores. Moeda: AUD (dólar australiano). O cartão e o pagamento por aproximação são universais — comboios, elétricos, autocarros, bancas de mercado e carrinhos de café aceitam todos o tap-to-pay. O dinheiro vivo raramente é preciso; os multibancos são abundantes. A gorjeta não é esperada, mas é apreciada por bom serviço (10% num restaurante é generoso, não a regra). Melbourne é moderadamente cara — hotéis centrais AU$ 180-350, um almoço informal AU$ 20-30, um jantar intermédio AU$ 45-65, um café AU$ 5, uma cerveja AU$ 11-14 nos pubs, o limite diário de transporte cerca de AU$ 11.
Resumo de viagem

Melbourne lê-se melhor como uma rede urbana de grão fino do que como uma lista de atrações. O CBD assenta na Hoddle Grid — um plano rígido de 1837, de ruas principais largas (Collins, Bourke, Flinders, Spring, Russell, Elizabeth, Queen, William) cruzadas por ruas de serviço mais estreitas, com uma malha secundária de vielas (Centre Place, Degraves Street, Hosier Lane, AC/DC Lane, Block Place) que se tornou o caráter de rua que define Melbourne — cafés independentes, bares, arte urbana e pequenas lojas empilhados em três pisos. A Federation Square (2002), na Flinders Street, alberga o Australian Centre for the Moving Image (ACMI) e o Ian Potter Centre (a coleção australiana da NGV); a maior NGV International, na St Kilda Road, é uma das grandes galerias do hemisfério sul (entrada geral gratuita). A zona de elétrico gratuito (Free Tram Zone) cobre todo o CBD, mais Docklands e o lado do Queen Victoria Market — dentro da zona, as viagens são gratuitas. Os bairros interiores de Melbourne têm identidades fortes e recompensam dias temáticos: Fitzroy e Brunswick (livrarias, vintage, música indie, brunch), Carlton (a Lygon Street, a herança italiana, a universidade e o Royal Exhibition Building), Richmond (os restaurantes vietnamitas da Victoria Street), Footscray (comunidades vietnamita, etíope e sudanesa), St Kilda (as pastelarias da Acland Street, o Luna Park, a praia e o cais). O desporto é, genuinamente, uma religião cívica: o MCG recebe jogos da Liga de Futebol Australiano (AFL) com mais de 80 000 pessoas; o Rod Laver Arena recebe o Australian Open, no fim de janeiro; a corrida de cavalos Melbourne Cup para o país na primeira terça-feira de novembro; o Grande Prémio de Fórmula 1 corre em março, no Albert Park. A cultura de café é uma das mais fortes do mundo, herdada diretamente dos migrantes italianos e gregos do pós-guerra. Estrutura prática de 4 dias: dia 1 vielas do CBD, a NGV e a Federation Square; dia 2 Fitzroy-Carlton e o Queen Victoria Market; dia 3 o rio Yarra, Southbank e o MCG; dia 4 St Kilda ou uma excursão — a Great Ocean Road (Doze Apóstolos), Phillip Island (o desfile dos pinguins) ou o Yarra Valley (vinho). A Austrália exige autorização a toda a gente: eVisitor (gratuita) para portugueses, visto de visitante para brasileiros — peça antes de voar.

Descubra Melbourne

A Hoddle Grid do CBD foi traçada em 1837 pelo agrimensor Robert Hoddle, num padrão rígido de quarteirões de 200 por 100 metros, com ruas principais largas e becos de serviço estreitos por trás. Esses becos — as vielas (laneways) — são hoje a textura urbana que assina Melbourne. A Centre Place, entre as ruas Collins e Flinders, é a imagem de viela que já viu num calendário: sinais pendurados, grafíti de três pisos, mesas de café encostadas às paredes. A Degraves Street, uma rua a leste, é a mesma ideia num registo mais polido, ótima para um passeio matinal a começar na estação Flinders Street. A Hosier Lane, no lado sul da Federation Square, é a galeria de arte de rua ao ar livre da cidade, repintada constantemente; é grafíti autorizado, com a cidade a curar ativamente novas peças, e tem um painel de Banksy numa vitrina de vidro. A AC/DC Lane (com o nome da banda) tem bares e caves de música ao vivo. A Block Place, a Royal Arcade (1869) e a Block Arcade (1892) levam-no à prosperidade da era da corrida ao ouro. Conte com meio dia para percorrer as vielas devagar, de preferência com um café na mão.

Perguntas frequentes

Três a quatro dias servem bem a cidade: um para as vielas do CBD, a NGV e a Federation Square; um para Fitzroy, Carlton e o Queen Victoria Market; um para o Yarra, Southbank e o MCG; e um para St Kilda ou uma excursão — a Great Ocean Road, os pinguins de Phillip Island ou as vinhas do Yarra Valley.

Sim — Melbourne tem a maior rede de elétricos do mundo, com cerca de 250 km de via que servem toda a cidade. Melhor ainda para o visitante: a Free Tram Zone cobre todo o CBD, Docklands e o Queen Victoria Market, e dentro dela as viagens são gratuitas. O City Circle Tram (linha 35), num elétrico histórico cor de vinho, faz um circuito gratuito do centro, com comentário turístico — uma ótima primeira orientação.

Melbourne é amplamente considerada a cidade com a mais forte cultura de café do mundo, herança direta dos migrantes italianos e gregos do pós-guerra, que trouxeram o espresso. O flat white é a especialidade local. Vale a pena seguir a cena de torrefatores (St Ali, Market Lane, Seven Seeds, Patricia) e tomar o café numa viela, como a Centre Place ou a Degraves Street — a experiência define a cidade tanto como qualquer museu.

Missões diplomáticas em Melbourne

4 missões nesta cidade, agrupadas por região.