Macau, China

Guia da cidade com dados principais, viagens, negócios e cultura.

ChinaMacau SAR

Visão geral

Macau é uma Região Administrativa Especial chinesa de 32,9 quilómetros quadrados onde 442 anos de presença portuguesa deixaram um Centro Histórico classificado pela UNESCO — largos de calçada, igrejas em tons pastel — encostado a um corredor de cinco quilómetros de megarresorts do Cotai. É também o único sítio na Ásia onde o português é língua co-oficial e onde a cozinha macaense (galinha à africana, minchi, pastéis de nata na Lord Stow's) se vem a apurar desde o século XVI.

Caminhante do património — foco na península

Largo do Senado, Ruínas de São Paulo, Fortaleza do Monte, Templo de A-Má e as igrejas menos visitadas — um percurso pelo Património Mundial da UNESCO que mais compensa ao ritmo calmo da manhã, com almoço macaense n'A Lorcha ou no Riquexó.

Saltador de resorts e casinos do Cotai

O Venetian, o Wynn Palace, o City of Dreams, o Studio City e o Parisian — ligados por shuttles gratuitos de casino, com a alta cozinha do Robuchon au Dôme e do Don Alfonso 1890 e o espetáculo aquático House of Dancing Water ao serão.

Peregrino gastronómico — do macaense ao Michelin

Pastéis de nata da Lord Stow's na Vila de Coloane, A Lorcha para um macaense informal de qualidade, a Casa de Chá Long Wa para dim sum tradicional de carrinho e mais de 17 casas com estrela Michelin, incluindo o The Eight e o Don Alfonso 1890.

Bate-volta a partir de Hong Kong

55 minutos de ferry desde Sheung Wan ou Kowloon, ou 40 minutos de shuttle pela Ponte HZMB desde Tung Chung — um roteiro de Macau num só dia cobre o Largo do Senado, as Ruínas de São Paulo, um passeio por um centro comercial de casino e um jantar macaense.

Família e crianças — Cotai + Coloane

O teleférico sobre o lago e o espetáculo de fontes do Wynn Palace, a roda-gigante em oito do Studio City, os módulos interativos do Centro de Ciência de Macau e a Praia de Hác Sá, em Coloane, com areia, churrasqueiras e banhos nos meses quentes.

História

Mercadores portugueses começaram a comerciar a partir da península de Macau em 1557, com autorização tácita da dinastia Ming, fazendo de Macau o primeiro entreposto português duradouro na China e um dos mais antigos pontos de encontro entre a Europa e a Ásia. O jesuíta italiano Alessandro Valignano fundou o Colégio de São Paulo em 1594, base da missão que enviou eruditos europeus — entre eles Matteo Ricci, que passou aqui o seu primeiro ano asiático, em 1582–1583, a aprender chinês — para a China dos Ming e dos Qing; foi o jesuíta italiano Carlo Spinola quem supervisionou o desenho da fachada da igreja cujas ruínas são hoje a imagem mais conhecida de Macau. O território manteve-se sob administração portuguesa durante 442 anos, até ao regresso à China a 20 de dezembro de 1999, sob o quadro «Um País, Dois Sistemas», que preserva até 2049 um sistema de imigração próprio, a pataca, a tradição de direito civil de matriz portuguesa e a indústria do jogo. O Largo do Senado, as Ruínas de São Paulo, a Fortaleza do Monte, o português como língua co-oficial, a presença católica (a Diocese de Macau é a mais antiga do Leste Asiático, fundada em 1576) e a cozinha macaense nasceram deste longo encontro luso-chinês e continuam a fazer parte da vida quotidiana sob soberania chinesa.

Cultura

A cozinha macaense combina elementos portugueses, cantonenses, africanos, indianos, malaios e brasileiros apurados ao longo de 450 anos — a mais antiga fusão eurasiática do mundo. Pratos de referência: galinha à africana (galinha numa pasta de piri-piri, coco e alho), minchi (carne picada de vaca e porco com batata, cebola, soja e um ovo estrelado), preparações de bacalhau, tacho (cozido luso-chinês) e serradura. Melhores pastéis de nata: Padaria Lord Stow's (a original, na Vila de Coloane) ou Margaret's Cafe e Nata (península). Macaense sentado: A Lorcha (Porto Interior) ou Riquexó (São Lázaro). Macaense de instituição: Restaurante Litoral (Taipa). Pãozinho de costeleta de porco: Tai Lei Loi Kei (Taipa). Cantonense de excelência: Wing Lei (Wynn, uma estrela Michelin) ou The Eight (Grand Lisboa, três estrelas Michelin). Alta cozinha francesa: Robuchon au Dôme (Grand Lisboa, três estrelas Michelin). Alta cozinha italiana: Don Alfonso 1890 (Grand Lisboa). Dim sum tradicional: Casa de Chá Long Wa (península, serviço de carrinho). Festivais: Grande Prémio de Macau (meados de novembro) — Taça do Mundo de Fórmula 3 e a Corrida da Guia, Festival Internacional de Música de Macau (outubro–novembro), Festival de Gastronomia de Macau (meados de novembro, Lago Sai Van), Festa de A-Má (março/abril, Templo de A-Má), Fogo de artifício do Ano Novo Lunar sobre o porto (janeiro/fevereiro), Procissão de Nossa Senhora de Fátima (13 de maio), Festival de Luz de Macau (dezembro). Museus: Museu de Macau (dentro da Fortaleza do Monte, âncora do passeio histórico), Museu Marítimo (junto ao Templo de A-Má), Museu de Arte de Macau (MAM, no Centro Cultural), Museu das Casas da Taipa (cinco moradias portuguesas na Vila da Taipa), Centro de Ciência de Macau (interativo e moderno, junto ao terminal de ferry), Museu do Vinho de Macau (Porto Exterior, vinho português e história de Macau), Museu do Grande Prémio (Porto Exterior, o automobilismo de Macau).

Informações práticas

Segurança: Macau é um dos destinos urbanos mais seguros da Ásia — o crime violento contra turistas é extremamente raro, o território é bem policiado, bem iluminado e muito vigiado pela segurança dos casinos. Aplicam-se as precauções urbanas habituais: atenção a carteiristas ocasionais no Largo do Senado e nas horas de ponta dos terminais de ferry. Os casinos são para maiores de 21 anos, com controlo rigoroso de documentos à entrada das salas de jogo. O território conduz pela ESQUERDA (como Hong Kong, ao contrário da China continental); ao atravessar, olhe primeiro para a DIREITA. As tomadas são britânicas de três pinos (tipo G), com as europeias tipo C/F como padrão secundário. A água da torneira é tecnicamente potável, mas a maioria dos residentes bebe água engarrafada; os hotéis fornecem-na nos quartos. A época de tufões vai de junho a outubro — o sinal 8 ou superior fecha os ferries e a maior parte das atrações. Idioma: O cantonense e o português são ambos línguas oficiais, com documentos do governo e sinalética de rua bilingues por toda a parte. O inglês é muito usado nos casino-resorts, nos hotéis e nos pontos turísticos, mas é limitado na Vila de Coloane e nos pequenos restaurantes locais. O mandarim é compreendido pela maioria dos menores de 40 anos, mas o cantonense continua a ser a língua do dia a dia. Para o viajante lusófono, Macau é caso único na Ásia: a sinalética em português torna a orientação imediata, os nomes de ruas e largos são familiares e a herança luso-chinesa está visível em cada esquina. Moeda: Pataca de Macau (MOP), indexada a 1:1 ao dólar de Hong Kong (HKD); ambos circulam em paralelo a uma taxa de facto de 1:1. Os cartões Visa, Mastercard e UnionPay estrangeiros funcionam diretamente em casinos, hotéis, restaurantes, lojas e multibancos — sem o atrito de vincular ao Alipay, como na China continental. O Apple Pay e o Google Pay funcionam nos terminais NFC dos casino-resorts e das cadeias de retalho. Cartões como o Wise e o Revolut funcionam normalmente nos multibancos. O dinheiro físico (HKD ou MOP) continua essencial para a Vila de Coloane, as bancas da Vila da Taipa e os minibus. O Pix (do Brasil) e o MB WAY (de Portugal) não funcionam; traga o cartão internacional ativado para o estrangeiro. A MOP não tem valor fora de Macau — gaste-a antes de partir.
Resumo de viagem

Macau compensa dois a três dias sem pressa. A maioria dos visitantes chega de ferry a partir de Hong Kong (Sheung Wan ou Kowloon, cerca de 55 minutos) ou de autocarro pela Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau (cerca de 40 minutos a partir de Tung Chung); a terceira via é um voo regional para o Aeroporto Internacional de Macau, na Taipa. Onde ficar depende da ênfase da viagem: a península de Macau é a escolha certa para quem se foca no Centro Histórico da UNESCO e nos restaurantes macaenses a pé (o Mandarin Oriental, o Sofitel e o Grand Lisboa concentram-se à volta do núcleo histórico), enquanto o Cotai é indicado para o conforto dos casino-resorts e a infraestrutura integrada de luxo (o Venetian, o Wynn Palace, o City of Dreams, o MGM Cotai, o Studio City e o Parisian alinham-se ao longo de um único corredor). A rede gratuita de shuttles entre casinos — aberta a toda a gente, não só a hóspedes, com partidas a cada 10–30 minutos do Terminal Marítimo do Porto Exterior, do Terminal da Taipa, do aeroporto, da Ponte Flor de Lótus e da fronteira das Portas do Cerco — torna o transporte entre zonas praticamente gratuito. O roteiro clássico de dois dias é um dia de património na península (Largo do Senado → Ruínas de São Paulo → Fortaleza do Monte → Templo de A-Má, com um almoço macaense na Vila da Taipa pelo meio) e um dia de Cotai para os megarresorts, o espetáculo aquático House of Dancing Water no City of Dreams e um jantar no Robuchon au Dôme ou no Don Alfonso 1890, no Grand Lisboa. Um terceiro dia — muito recomendável — abre a Vila de Coloane para os pastéis de nata da padaria original de 1989, a Capela de São Francisco Xavier e o sossego reparador da Praia de Hác Sá. Os cartões Visa e Mastercard estrangeiros funcionam diretamente em casinos, hotéis, restaurantes e lojas; o Apple Pay e o Google Pay funcionam normalmente nos terminais NFC; a pataca de Macau e o dólar de Hong Kong circulam em paralelo a uma taxa de facto de 1:1.

Descubra Macau

Comece no Largo do Senado às 9h, antes de chegarem os grupos dos cruzeiros. A calçada portuguesa de padrão ondulado estende-se diante do Edifício do Leal Senado, em creme e verde (entrada livre, com exposições rotativas no pátio de colunas); espreite a Igreja de São Domingos, cor-de-salmão, no lado norte do largo, pelo frescor do interior em pedra. Suba pela Rua de São Domingos através das vielas — quinze minutos, com uma paragem para café num dos pátios — até às Ruínas de São Paulo, a fachada minuciosamente esculpida da igreja jesuíta do século XVII, em que a frente apanha o sol da manhã com nitidez. Suba os degraus ao lado das Ruínas até à Fortaleza do Monte (a cidadela portuguesa do século XVII que repeliu a invasão neerlandesa de 1622) e ao Museu de Macau, dentro das muralhas (90 minutos, sinalética em português, chinês e inglês, bem organizada). Desça para sudoeste até ao Porto Interior e siga a marginal quinze minutos até ao Templo de A-Má — o templo da deusa do mar, de 1488, que deu o nome a Macau — pelas espirais de incenso e a vista sobre o porto. O Museu Marítimo fica cinco minutos mais à frente na mesma marginal, se tiver tempo. Termine num dos restaurantes macaenses das ruas do Porto Interior — A Lorcha é a instituição local, de gestão familiar desde 1985, com o bacalhau e a galinha à africana que explicam porque a cozinha macaense é uma categoria à parte.

Perguntas frequentes

Dois a três dias sem pressa. O roteiro clássico é um dia de património na península (Largo do Senado, Ruínas de São Paulo, Fortaleza do Monte e Templo de A-Má) e um dia no Cotai para os megarresorts e os espetáculos. Um terceiro dia abre a Vila de Coloane, com os pastéis de nata da Lord Stow's original e a Praia de Hác Sá. Quem chega de Hong Kong consegue um bate-volta de um dia, mas quem planeia dois dias depressa deseja ter três.

Sim. Fruto de 442 anos de presença portuguesa, o português continua a ser língua co-oficial a par do cantonense: a sinalética de rua e os documentos do governo são bilingues, muitos nomes de ruas e largos são portugueses e a herança luso-chinesa está visível na arquitetura, nas igrejas e na calçada do Largo do Senado. Para o viajante lusófono, é o destino mais «familiar» de toda a Ásia.

Na Torre de Macau, no Porto Exterior. O AJ Hackett Bungy lança-se de uma plataforma a 233 metros de altura e é o salto de bungy comercial mais alto do mundo, confirmado pelo Guinness, em funcionamento contínuo desde 2006. Para quem prefere menos adrenalina, a mesma torre tem o Skywalk X (passeio numa cornija exterior, com arnês) e um miradouro de 360 graus com secções de chão de vidro.